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Descarte sustentável é a sua vantagem competitiva

Dufrio Refrigeração

16 out 2025

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Descarte sustentável é a sua vantagem competitiva

Seja você um técnico experiente, um instalador dedicado ou à frente de uma empresa do setor, sabemos que o seu dia a dia é corrido. São chamados de emergência, manutenções preventivas, instalações complexas e a constante busca por soluções que atendam às necessidades dos seus clientes.

No meio dessa rotina acelerada, um tema importante, mas que às vezes fica em segundo plano, é o impacto ambiental do nosso trabalho. Não é mesmo? Os equipamentos que aquecemos no braço para instalar e consertar – esses mesmos aparelhos que garantem conforto e preservam alimentos – carregam uma grande responsabilidade ecológica quando chegam ao fim da vida útil.

É aí que entra o descarte sustentável.
Dar o destino correto a peças, fluidos e equipamentos é mais do que uma obrigação ambiental — é uma atitude que reforça o compromisso do setor com o futuro do planeta.

A pergunta que não quer calar é: depois do último click do compressor, para onde vão os refrigeradores, freezers e aparelhos de ar-condicionado?

Neste conteúdo, vamos mergulhar a fundo nessa questão. Mais do que apenas apontar os problemas, nosso objetivo é capacitar você. Vamos desmistificar o impacto ambiental desses equipamentos e, principalmente, fornecer um guia claro e prático para que você realize o descarte de forma segura, legal e ambientalmente correta.

Afinal, a expertise técnica não se limita ao conserto, mas se estende à gestão responsável do ciclo de vida completo do equipamento. Vamos juntos nessa?

Parte 1: Para além do consumo de energia

Muitos pensam que o único mal que um equipamento de refrigeração causa ao meio ambiente é a conta de luz no final do mês. A verdade é que o impacto é muito mais amplo e ocorre em duas fases principais: durante o uso e após o descarte.

1.1. Gasto energético

Não é novidade que ar-condicionado e geladeiras estão entre os maiores vilões do consumo residencial e comercial. O motivo? Eles trabalham contra as leis da física, transferindo calor de um ambiente mais frio para um mais quente, e isso exige MUITA energia.

  • Fontes de energia: a maior parte da energia elétrica no Brasil ainda vem de usinas termelétricas, que queimam combustíveis fósseis (como carvão e gás natural). Essa queima libera toneladas de Gases de Efeito Estufa (GEE), como o Dióxido de Carbono (CO₂), que são os principais responsáveis pelo aquecimento global.
  • Eficiência é tudo: um equipamento antigo, com compressor ineficiente ou com serpentinas sujas, consome até 30% mais energia para realizar a mesma função. Por isso, nossa atuação em manutenção preventiva não é apenas um serviço, é um ato de responsabilidade ambiental. Ao garantir que o sistema opere na sua máxima eficiência, reduzimos diretamente a emissão de GEE.

1.2. Perigo invisível: Gases Refrigerantes

Este é o ponto em que a nossa competência técnica se torna fundamental para o planeta. Os gases refrigerantes são o “sangue” do sistema, mas seu vazamento ou descarte incorreto é um veneno para a atmosfera.

  • CFCs (clorofluorcarbonos): presentes em equipamentos muito antigos (fabricados até meados dos anos 90), como o famoso R-12, os CFCs são os principais destruidores da Camada de Ozônio. Suas moléculas, quando liberadas, sobem até a estratosfera e destroem as moléculas de ozônio (O₃), que nos protegem dos raios ultravioletas nocivos do sol. Graças ao Protocolo de Montreal (1987), os CFCs foram banidos globalmente.
  • HCFCs (hidroclorofluorcarbonos): substituíram os CFCs por serem menos agressivos à camada de ozônio (como o R-22). No entanto, ainda possuem um Potencial de Destruição do Ozônio (PDO) e um altíssimo Potencial de Aquecimento Global (PAG). Sua produção e importação para manutenção estão sendo gradualmente eliminadas no Brasil.
  • HFCs (hidrofluorcarbonos): são a geração atual mais comum (como o R-410A e o R- 134a). Boa notícia: eles não destroem a camada de ozônio (PDO = 0). Má notícia: seu PAG é extremamente alto. O R-410A, por exemplo, tem um PAG 2.088 vezes maior que o CO₂. Ou seja, vazar 1 kg de R-410A equivale a liberar mais de 2 toneladas de CO₂ na atmosfera.
  • HFOs e Refrigerantes Naturais: a indústria já busca alternativas com baixíssimo PAG, como os HFOs (ex.: R-1234yf) e os refrigerantes naturais, como o Propano (R-290) e o CO₂ (R-744). Estes últimos, embora exijam cuidados extras com segurança (por serem inflamáveis ou operarem em alta pressão), representam o caminho para uma refrigeração sustentável.

Ou seja, todo vazamento, por menor que seja, durante uma manutenção mal executada ou um descarte incorreto, tem um impacto desproporcional no meio ambiente.

Saiba mais em: Como identificar vazamento de gás no refrigerador?

1.3. Poluição sólida: O que acontece com o equipamento inteiro?

Um aparelho de refrigeração não é só gás. É uma montanha de outros materiais:

  • Metais: aço, cobre e alumínio, que são recicláveis, mas, se jogados em lixões, podem contaminar o solo com seus componentes.
  • Plásticos: diversos tipos, que podem levar centenas de anos para se decompor.
  • Óleos lubrificantes: presentes no compressor, são altamente poluentes para o solo e para os lençóis freáticos.
  • Circuitos eletrônicos e pilhas: contêm metais pesados como chumbo, mercúrio e cádmio, extremamente tóxicos para a saúde humana e para o ecossistema.

Quando um equipamento é abandonado em um terreno baldio ou descartado como lixo comum, todos esses elementos se tornam uma fonte de contaminação de longo prazo.

Parte 2: Nosso papel na cadeia

Diante desse cenário, fica claro que nossa responsabilidade vai muito além do cliente final. Somos os agentes primários na garantia de que o fim da vida útil de um equipamento seja o mais sustentável possível. E isso não é apenas uma questão de consciência ambiental; é uma obrigação legal.

2.1. O que diz a lei? A PNRS e as Normas do Setor

No Brasil, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS – Lei nº 12.305/2010) estabelece

a Logística Reversa. Esse conceito significa que os fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes são responsáveis por coletar e dar uma destinação final ambientalmente adequada aos produtos após o uso pelo consumidor.

Na prática, para nós, profissionais:

  • Você é o elo: O técnico ou a empresa de instalação é, frequentemente, a primeira pessoa contatada quando um cliente quer se desfazer de um equipamento velho.
  • Obrigações específicas: normas como a NBR 16156 estabelecem os procedimentos para a recuperação, reciclagem e destruição de gases refrigerantes. Ignorar essas normas pode acarretar multas pesadas e danos à imagem do profissional.

2.2. Posicionamento: ser sustentável é ser competitivo

Adotar práticas sustentáveis não é um custo, é um investimento no seu negócio.

  • Diferencial competitivo: cada vez mais, clientes comerciais (hotéis, restaurantes, supermercados) e até residenciais valorizam fornecedores que demonstram responsabilidade socioambiental.
  • Fortaleça sua marca: ao se posicionar como uma empresa “verde”, você constrói uma imagem de seriedade, modernidade e compromisso com o futuro.
  • Fidelização de clientes: mostrar que você se preocupa com o descarte correto gera confiança. O cliente percebe que está lidando com um verdadeiro especialista, que cuida de todos os detalhes.

Parte 3: Guia para o descarte correto

Agora, a parte que interessa: como colocar a mão na massa? Separamos um roteiro claro para você seguir no seu dia a dia.

Passo 1: Atendimento ao Cliente

Quando um cliente solicita a substituição de um equipamento, a conversa pode (e deve) ir além do orçamento.

  1. Pergunte sobre o equipamento antigo: “O senhor(a) já sabe o que vai fazer com o aparelho antigo?”.
  • Ofereça a solução: “Nossa empresa realiza a coleta e o descarte ambientalmente correto. Incluímos esse serviço no orçamento para sua tranquilidade.” Isso transforma um “problema” para o cliente em um serviço valorizado.
  • Informe sobre a importância: Explique brevemente os riscos dos gases refrigerantes e a importância da reciclagem. Eduque seu cliente! Isso mostra sua autoridade no assunto.

Passo 2: Coleta

  • Transporte seguro: assegure-se de que o equipamento esteja bem posicionado no veículo para evitar danos físicos que possam causar vazamentos durante o transporte.
  • Identificação: Se possível, identifique o equipamento com uma etiqueta contendo data de coleta, tipo de gás (se conhecido) e nome do cliente.

Passo 3: A Retirada do Gás Refrigerante (Recuperação)

ATENÇÃO: Esta é a etapa mais crítica e que exige equipamento específico e treinamento.

  1. Equipamentos necessários:
    • Máquina de recuperação de gás: Jamais, em hipótese alguma, “libere” o gás na atmosfera. A recuperação é obrigatória.
    • Cilindro de recuperação válido e identificado: Um cilindro para cada tipo de gás (não misture gases diferentes). O cilindro deve estar dentro do prazo de teste hidrostático.
    • Manifold e mangueiras de serviço.
    • EPIs: Luvas e óculos de proteção são essenciais.

2.      Procedimento técnico:

  • Conecte a máquina de recuperação ao sistema do equipamento, seguindo as instruções do fabricante.
  • Execute o processo de recuperação, garantindo que o máximo possível de gás seja transferido para o cilindro.

Dica: Após a recuperação, faça um pequeno purgue com nitrogênio (N₂) no sistema para remover resíduos de gás e óleo. Isso garante uma recuperação mais completa e limpa.

3.      Registro e rastreabilidade:

  • Anote a quantidade de gás recuperado, o tipo de gás, a data e o equipamento de origem. Manter um livro de registro é uma prática profissional que comprova sua conformidade com as normas.

Passo 4: Destino dos componentes

Após a recuperação do gás, o equipamento se torna um resíduo sólido complexo. A destinação deve ser feita da seguinte forma:

  1. Encaminhe para Centros de Reciclagem Credenciados (Ecopontos): não existe um local único para descartar tudo. O ideal é estabelecer parcerias com empresas especializadas.
  • Metais (cobre, alumínio, aço): encaminhe para sucatas ou recicladoras de metal.
  • Plásticos: alguns tipos podem ser reciclados por empresas específicas.
  • Compressores: eles contêm óleo lubrificante, que deve ser drenado e encaminhado para empresas de reciclagem de óleo ou de compressores.
  • Placas Eletrônicas: devem ser enviadas para recicladoras especializadas em lixo eletrônico (e-lixo).
  1. 2.   O que fazer com o gás recuperado?

O gás contido nos cilindros de recuperação deve ser enviado para empresas credenciadas pelo IBAMA para regeneração (purificação para reutilização) ou destruição final em condições controladas.

Passo 5: Documentação

Guarde todos os Certificados de Destinação Final fornecidos pelas empresas recicladoras e pela empresa que recebeu os gases. Esses documentos são o seu comprovante de que cumpriu a lei e são essenciais em caso de fiscalização.

Parte 4: Dicas Extras para se tornar um profissional da refrigeração sustentável

  • Invista em treinamento: mantenha-se atualizado sobre as novas normas, tecnologias de recuperação e refrigerantes alternativos. Fique atento aos eventos “Conexão Dufrio”
  • Prefira equipamentos eficientes: na hora de indicar um novo aparelho ao cliente, priorize os com Selo Procel A de eficiência energética. Você ajuda o cliente a economizar e o planeta a respirar.
  • Combata os vazamentos: em toda manutenção, use detecção de vazamentos de alta precisão (como detectores eletrônicos) e não apenas espuma de sabão. Um conserto bem-feito previne danos ambientais futuros.
  • Comunique suas práticas: não tenha vergonha de falar sobre isso! Inclua em seu site, nas redes sociais e nos orçamentos que sua empresa adota práticas de descarte sustentável. Isso atrai clientes conscientes.

Conclusão

Colega, a refrigeração é uma área essencial para a sociedade, mas temos o dever de evoluir junto com as demandas ambientais. O conhecimento técnico que nos permite dominar a temperatura também nos concede a responsabilidade de proteger o ecossistema.

Não encare as normas de descarte como uma burocracia, mas como uma extensão natural do nosso ofício. Cada grama de gás recuperado, cada quilo de metal reciclado e cada equipamento destinado corretamente é uma vitória para a nossa categoria e para o planeta.

Nossa marca acredita que a competência técnica anda de mãos dadas com a responsabilidade ambiental. Esperamos que este conteúdo seja um aliado prático no seu dia a dia, reforçando que, com as práticas corretas, nós, profissionais da refrigeração, somos parte fundamental da solução.

Gostou deste conteúdo? Tem alguma dúvida específica sobre os procedimentos? Deixe nos comentários!

Este guia foi desenvolvido pela equipe de especialistas da Dufrio. Somos referência em refrigeração e climatização, comprometidos com as melhores práticas técnicas e ambientais.

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