Você pesquisou sobre BTUs, escolheu o modelo do aparelho com selo Procel, talvez até já
tenha decidido entre um split comum ou um com a tecnologia inverter. Mas e a tubulação?
Pois é, esse componente muitas vezes passa despercebido na hora da compra, mas é ele o
responsável por transportar o gás refrigerante que vai, de fato, gelar o seu ambiente.
Pense na tubulação como as artérias do seu sistema de climatização. Se houver um
entupimento, um vazamento ou um material de má qualidade, todo o investimento no
aparelho pode ir por água abaixo.
Uma instalação malfeita ou com componentes inadequados é a receita para o desperdício de
energia, a quebra precoce do compressor e um desconforto térmico generalizado. Vamos
trazer um conteúdo para que você, consumidor, possa fazer as perguntas certas na hora da
instalação e garantir a durabilidade e eficiência do seu equipamento. Vamos lá? Boa leitura!
Saiba mais: O que é tecnologia inverter?
Tubulação de ar-condicionado: cobre ou alumínio?
Quando o assunto é a linha frigorífica (nome técnico para o par de tubos que conecta a
unidade interna à externa), o mercado oferece basicamente duas opções: cobre e alumínio.
Mas aqui não tem mistério, e a ciência dos materiais já deu a resposta há muito tempo.
O cobre é, disparado, a melhor escolha para uma instalação definitiva e eficiente. Isso porque
ele possui uma ductilidade fantástica – ou seja, ele é maleável e resistente, suportando dobras
e vibrações sem trincar. Além disso, o cobre tem uma resistência mecânica superior e uma
superfície interna mais lisa, o que facilita o fluxo do gás e do óleo do compressor. É por isso
que as principais montadoras utilizam cobre inclusive nas conexões internas dos
equipamentos.
Já o alumínio, embora mais barato, é um material que pode trazer dores de cabeça. Ele é mais
frágil e suscetível à corrosão, especialmente se instalado em regiões litorâneas ou com alta
poluição. Com o tempo, as vibrações do compressor podem causar microfissuras nas conexões
de alumínio, levando a vazamentos de gás.
E aqui vai um alerta importante: muito cuidado com as famosas “barras de alumínio” usadas
por alguns instaladores para economizar. Se o seu orçamento está apertado, converse com o
técnico sobre alternativas, mas saiba que o cobre é sempre um investimento em segurança e
longevidade.
Importante saber: Tubulação de ar-condicionado: dicas e diferenças
Como saber a bitola correta da tubulação
Não basta ser de cobre, tem que ser na medida certa. A bitola dos tubos (diâmetro e espessura
da parede) é calculada com base na capacidade do ar-condicionado (BTUs) e na distância entre
a evaporadora (unidade interna) e a condensadora (unidade externa).
Usar um tubo mais fino do que o recomendado restringe a passagem do gás, fazendo o
compressor trabalhar sobrecarregado. É como se você tentasse respirar por um canudo muito
fino depois de correr. O resultado é perda de eficiência, aumento no consumo de energia e
risco de queima do motor. Por outro lado, usar um tubo mais grosso que o necessário pode
dificultar o retorno do óleo para o compressor, comprometendo a lubrificação interna.
Por isso, jamais aceite a instalação com “qualquer tubo que tiver no carro”. O instalador deve
seguir rigorosamente as especificações do manual do fabricante. Geralmente, para splits
residenciais de 9.000 a 12.000 BTUs, utilizam-se medidas de 1/4″ e 3/8″ ou 1/4″ e 1/2″, mas
isso pode variar. Exija que o profissional verifique essa informação.
Entenda: Quais são os materiais necessários para instalação de ar condicionado split?
Por que o isolamento térmico da tubulação é tão importante
Aqui mora um dos erros mais comuns e prejudiciais: negligenciar o isolamento. Os dois tubos
de cobre têm funções opostas: um leva o gás em alta temperatura (linha de líquido) e o outro
traz o gás em baixíssima temperatura (linha de sucção). Se o tubo frio não estiver
perfeitamente isolado, ele vai “suar” dentro da parede ou do eletroduto.
Esse suor (condensação) causa três grandes problemas:
- Perda de eficiência: o calor do ambiente aquece o gás antes dele voltar ao
compressor. - Mofo e umidade: a água acumulada dentro da parede vira criadouro de fungos e pode
manchar paredes e tetos. - Danos à estrutura: com o tempo, a umidade constante pode danificar a alvenaria e até
a estrutura elétrica.
O isolamento correto é feito com espuma elastomérica (conhecida como “borracha”),
específica para refrigeração. Não adianta usar qualquer espuma, pois ela precisa suportar
baixas temperaturas sem ressecar. A espessura mínima recomendada é de 9 mm (para
temperaturas de evaporação comuns em splits), mas em locais muito quentes ou com longas
distâncias, o ideal é usar 13 mm ou até 19 mm.
Dica: peça para ver o isolamento antes da instalação. Ele deve ser novo, de boa qualidade e
instalado de forma contínua, sem emendas expostas. As emendas devem ser coladas com
adesivo de contato apropriado para evitar a entrada de ar e umidade.
Erros comuns na tubulação do ar-condicionado
Além do material, a forma como a tubulação é manuseada define o sucesso do projeto. Uma
instalação caprichada segue alguns mandamentos básicos:
- Corte e alargamento precisos: O tubo deve ser cortado com cortador específico (nunca com
serrinha, que deixa rebarbas) e alargado com flarenador de qualidade. Um flange mal-feito é a
principal causa de vazamentos nas conexões. - Limpeza e proteção: Durante a instalação, as pontas dos tubos devem estar sempre
tampadas para não entrar poeira ou umidade. Qualquer partícula dentro da linha pode entupir
o filtro do expansor (capilar ou eletrônico) e matar o compressor. - Evacuação (vácuo): Este é o passo que separa os profissionais dos amadores. Depois de
conectar os tubos, é obrigatório fazer o vácuo no sistema com uma bomba de vácuo, por no
mínimo 20 a 30 minutos. Isso remove a umidade e o ar de dentro das tubulações. Se isso não
for feito, a umidade reage com o gás e o óleo, formando ácidos que corroem o sistema por
dentro. Desconfie de instaladores que não usam bomba de vácuo ou que “purgam” o ar
apenas soltando um pouco de gás. - Carga de gás na medida: Cada instalação tem uma metragem. Se a distância entre as
- unidades for maior que a “carga de fábrica” (geralmente até 7,5 metros), é preciso
- complementar a carga de gás. A quantidade exata deve ser calculada e respeitada.
Conexões e o mito da emenda
Idealmente, a linha de cobre deve ser contínua, sem emendas no meio do percurso. Cada
emenda é um ponto potencial de vazamento. Em obras de grandes proporções, onde a
emenda é inevitável (como em prédios), ela deve ser feita com uma junta soldada com liga de
prata (solda forte) por um profissional altamente capacitado. Nunca aceite emendas com
conectores de pressão (flares) enterrados ou embutidos na parede sem acesso. Se vazar,
você terá que quebrar tudo.
A importância de um projeto personalizado
Cada ambiente tem suas particularidades. A distância entre a condensadora e a evaporadora, a
altura entre elas e o tipo de gás utilizado (R-410A, R-32) influenciam diretamente na escolha
da tubulação.
Por exemplo, em sistemas que utilizam o gás R-410A, que trabalha com pressões mais altas, a
exigência sobre a qualidade da parede do tubo de cobre é ainda maior. É crucial que o tubo
seja certificado para suportar essas pressões sem risco de estouro.
Se você está pensando em climatizar vários ambientes com uma única condensadora, vale a
pena ler nosso conteúdo sobre ar-condicionado Multi Split. Nesse sistema, a complexidade da
tubulação aumenta, pois é necessário um rigor ainda maior no dimensionamento para que o
gás chegue com a pressão correta em todas as evaporadoras.
Você também vai gostar: Ar-condicionado Multi Split: definição e vantagens

Como cuidar da tubulação na manutenção preventiva
Depois de instalado, o sistema de tubulação não precisa de muitos cuidados, mas merece
atenção. Durante as manutenções periódicas, que devem ocorrer pelo menos uma vez por
ano, o técnico deve verificar se há presença de oleosidade nas conexões (sinal de vazamento)
e se o isolamento térmico está ressecado ou solto.
Um isolamento danificado deve ser trocado imediatamente para evitar a condensação e a
perda de eficiência. Aliás, falando em manutenção, você sabia que um filtro sujo pode
indiretamente forçar o sistema e aumentar a pressão nas tubulações? Manter os filtros do arcondicionado sempre limpos reduz o esforço geral do aparelho e protege todo o circuito,
incluindo as linhas de gás.
Outro ponto de atenção é o local onde fica a condensadora. Se ela estiver exposta ao sol forte
ou em um ambiente abafado, o sistema vai trabalhar com pressões mais altas. Garantir uma
boa ventilação na unidade externa ajuda a preservar a vida útil de todo o sistema, inclusive da
tubulação.
Continue lendo: Como limpar o filtro do ar-condicionado corretamente?
Conclusão:
Escolher a tubulação correta pode não ser tão glamoroso quanto escolher um aparelho com
Wi-Fi ou design diferenciado, mas é a garantia de que todo o resto funcione bem por muitos
anos.
Na hora da instalação do seu ar-condicionado, seja curioso. Pergunte ao instalador sobre a
marca do cobre, a espessura do isolamento e o processo de vácuo. Um profissional sério terá
prazer em explicar cada etapa e te mostrar a qualidade dos materiais que está utilizando.
Lembre-se: um ar-condicionado é um investimento de longo prazo. Proteger esse investimento
começa com uma base sólida… ou, nesse caso, com uma tubulação de qualidade. Na Dufrio,
além de encontrar as melhores marcas e modelos, você pode contar com profissionais
capacitados para orientar sobre a instalação correta e garantir o máximo de eficiência e
durabilidade para o seu equipamento.
E aí, ficou alguma dúvida sobre esse tema? Deixe nos comentários!